Saudade não se traduz. Encontra-nos.
Tentei, em tempos, traduzi-la aos meus primos franceses.
Procurei muito pelas palavras certas, exemplos claros e até mesmo frases bonitas.
Nada era suficiente. Porque saudade não se limita a ser uma palavra, é a essência da vida.
Surge quando uma casa já não tem o mesmo cheiro.
Quando um brinquedo já não é o que foi.
Quando um verão inteiro vive dentro de uma fotografia.
Quando alguém parte e, mesmo ausente, continua-se a sentir a sua presença.
Sentir saudade é uma sorte disfarçada de dor.
O azar dos sortudos.
Só chora por uma memória quem viveu algo digno de lágrimas.
A nostalgia personaliza o passado, torna-o mais encantador, quase como se fosse raro.
A saudade não embeleza nada. Mostra apenas o vazio deixado pelo que foi marcante.
Nunca damos o devido valor a um instante enquanto o vivemos.
Só mais tarde, quando ele regressa em memória, percebemos o peso que tinha.
Talvez ser, ser humano, seja mesmo isso: guardar ausências como uma criança
que coleciona cromos – como se fosse um tesouro.
Sintam-na. Mesmo quando dói.
Porque se há dor que prova que a vida valeu a pena, é essa.
Texto de Madalena Ferreira Claro, 10ºG
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