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Saudade!

 Saudade não se traduz. Encontra-nos.   

Tentei, em tempos, traduzi-la aos meus primos franceses.

Procurei muito pelas  palavras certas, exemplos claros e até mesmo frases bonitas.

Nada era  suficiente. Porque saudade não se limita a ser uma palavra, é a essência da vida. 

Surge quando uma casa já não tem o mesmo cheiro.

Quando um brinquedo já  não é o que foi.

Quando um verão inteiro vive dentro de uma fotografia. 

Quando alguém parte e, mesmo ausente, continua-se a sentir a sua presença. 

Sentir saudade é uma sorte disfarçada de dor.

O azar dos sortudos.

Só chora por  uma memória quem viveu algo digno de lágrimas. 

A nostalgia personaliza o passado, torna-o mais encantador, quase como se  fosse raro.

A saudade não embeleza nada. Mostra apenas o vazio deixado  pelo que foi marcante.

Nunca damos o devido valor a um instante enquanto o vivemos.

Só mais tarde,  quando ele regressa em memória, percebemos o peso que tinha. 

Talvez ser, ser humano, seja mesmo isso: guardar ausências como uma criança 

que coleciona cromos – como se fosse um tesouro. 

Sintam-na. Mesmo quando dói.

Porque se há dor que prova que a vida valeu a  pena, é essa.


Texto de Madalena Ferreira Claro, 10ºG

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