Exposição " Eu
não sou um #", incluída na programação da Semana Cultural Da Universidade
de Coimbra.
Atividade promovida pelo PNA-PCE da ESIDM, Universidade de
Coimbra e Associação Cultural Videolab.Esta atividade será incluída na 2 ª
Bienal do Programa Nacional de Artes (PNA).
A exposição é o resultado das unidades de trabalho
orientadas pelos professores estagiários Ana Ferreira e Telmo Silva.
https://www.uc.pt/cultura/semana-cultural/
PNA-PCE-ESIDM, António Azenha
Qualquer observador minimamente atento sente a mudança de paradigma que atravessamos; a instabilidade política, o descrédito das instituições públicas, o crescente discurso de ódio, a intolerância ao diferente, o padrão de belo imposto, o que é aceite ou cancelado, a vigilância constante, a ansiedade que disto resulta e a explosão viciante de dopamina…. Como tudo isto surge nesta era hiperdigital ficamos desconfiados da sua ligação às redes sociais e fizemos o teste.
Na turma 9ºE, criámos um perfil de Instagram, a rede mais utilizada pelos alunos, para não ter um algoritmo tendencioso e fomos pedindo a uma turma de nono ano que, no final de cada aula, nos dessem o nome das contas dos três primeiros reels que lhes aparecesse e fomos seguindo essas contas.
Não demorou muito até que nos aparecessem posts que contivessem algum tipo
de violência simbólica.
Violência simbólica é um termo cunhado por Pierre Bourdieu para descrever um
tipo de violência não física, mas que contribui para a descriminação de género,
raça ou de classe, em que as vítimas assumem esse lugar de opressão como algo que lhes é natural e se
conformem nessa condição de opressão.
Ora, é nosso dever como professores de Educação Visual, e mais neste contexto digital, contribuir para a
leitura de imagens com uma pedagogia crítica que visa analisar estruturas de poder. Fizemos isso, primeiro
analisando o que estava implícito na imagem; qual o intuito; a quem se dirigia; como circulava… exemplos
de algumas questões passíveis de fazer antes de reagir aos posts que alimentam os algoritmos; algumas
questões que servem para dissecar as narrativas de poder que se consomem nas entrelinhas de coisas
aparentemente inofensivas, ‘humorísticas’ e que tendem a tornar-se banais.
O trabalho consistiu em escolher um dos posts que detivesse algum tipo de violência simbólica e extrair
essa violência. Ou seja, retirar o significado ao significante e se possível subvertê-lo dotando a mensagem
de uma conotação positiva. O formato do trabalho foi em pequenos grupos para promover o diálogo e a
colaboração, reforçando a importância do coletivo perante o consumo de plataformas digitais que nos
tendem a isolar ou a fazer se substituir por relações humanas, transformando o nosso tempo em lucro, o
nosso algoritmo em divisão e o nosso isolamento objeto em devir destes ambientes digitais.
Portanto, a nossa ideia de belo é um ato de resistência. Um ato de resistência que faz jus a uma justiça
social, à aceitação do diferente como contribuição para a nossa riqueza cultural, e um ato de resistência que
não é ingénuo e que não se perde à deriva no metaverso.
A par desta turma, uma outra, 9ºD, assumiu o belo, opondo-se a esta rapidez consumista, com
consequências nefastas para o meio ambiente, contrariando a crescente desconexão com a Natureza.
Criaram as suas tintas naturais, contrariaram o ciclo, dando o tempo necessário à contemplação dos arranjos
que observaram. Experimentaram os diversos sentidos a partir do desenho ligando-se à beleza que orbita a
simplicidade do natural.
É estranho como trabalhos esteticamente tão opostos podem estar tão intrinsecamente ligados naquilo que
parece ser um compromisso de urgência com o presente.
Os professores estagiários
Ana Ferreira
Telmo Silva

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