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CONCURSO “A NOTÍCIA” - Prémios

        1º Prémio

Happiness

                                            

Há quanto tempo o Homem busca pela plenitude da sua consciência? Houve já alguém, de carne e osso, uma máquina biomecânica, que tenha satisfeito os problemas e paradoxos mais emblemáticos sobre a nossa existência apenas com aquilo que é palpável? "Les temps modernes”, por assim dizer, são, indubitavelmente, a época mais materialista de todas, em que mais possuímos coisas, sem ter nada. Certamente, um cidadão mediano da nossa sociedade atual tem dezenas de vezes mais bens do que antigamente; mas isso representa, necessariamente, um aumento do seu contentamento ou a descoberta da fórmula mágica para a justificação de sua existência?

"Atualmente, mais de 1 bilhão de indivíduos ao redor do mundo sofrem com transtornos mentais”, indicou a ONU, em Setembro de 2025. E isso não é por acaso: à medida que nós, tanto individualmente quanto em sociedade, nos entregamo cada vez mais a um sistema consumista e libertino, abrimos ainda mais as nossas chagas corrosivas feitas por nós mesmos, fazendo transparecer a nossa genuína essência.

Isto vem a propósito de uma curta-metragem de há alguns anos e conhecida de muitos, da autoria de Steve Cutts, intitulada "Happiness”, onde é apresentado um rato apressado, e impulsionado pelas multidões e cartazes, que parece cair num ciclo quase interminável de busca e consumo, a usufruir de "tudo o que o mundo tem de bom para oferecer”; e, depois da intensa procura pela "felicidade”, é aprisionado e forçado a trabalhar mecanicamente.

O vídeo faz claramente alusão à condição humana atual: rasa, egoísta e hedonista. A curta também nos relembra que o ser humano possui uma liberdade fingida e uma vontade altamente autoprejudicial, a buscar a verdade, a autossatisfação e identidade em manifestações materiais e efémeras; tudo, de modo a que as nossas escolhas nos façam afundar mais e mais nas nossas mágoas.

Presos numa natureza corrompida, ficamos mais vulneráveis ao controlo que pode ser exercido sobre as nossas vidas, e consequentemente, à submissão ao coletivismo e individualismo extremos simultaneamente.

Individualistas, no sentido em que perseguimos o nosso “bem-estar” (visto mais como prazer), mesmo que à custa dos outros. Reféns do coletivismo e do comportamento das massas, significando que o mais indesejável dos atos e o mais ridículo dos bens sejam transformados em objetos de cobiça, sem os desejarmos por realmente os querermos ou deles necessitarmos, mas por outros os terem.

 

Davi Moscheta, nº 7, 9º B


        2º Prémio

O silêncio do burburinho

 

Hoje, mais do que nunca, vivemos numa época em que todos têm algo a dizer. No café, no autocarro, na escola, em todo o lado há alguém a dizer alguma coisa, mesmo que em silêncio, através de um ecrã. Entre posts, comentários e opiniões instantâneas, a palavra tornou-se algo indispensável nas plataformas digitais.

As redes sociais são um teatro estranho. Sabe-se lá quem o encena e cada um age como se fosse o ator, o público e o crítico simultaneamente. É deveras assustador como a liberdade de expressão, antigamente, exigia coragem para pensar diferente e, hoje em dia exige, acima de tudo, um filtro e responsabilidade para não passar dos limites. Por vezes, as pessoas esquecem-se de que a liberdade não é uma licença, da mesma forma que a opinião não é uma verdade. Embora em muitos sítios a censura já não seja uma realidade, devemos ter cuidado com tudo o que dizemos no ciberespaço pois uma vez na internet, para sempre na internet e cada palavra tem o seu peso que pode destruir reputações da mesma maneira que as constrói.

A liberdade não vive no ruído das vozes que se atropelam para serem ouvidas, vive no diálogo que se escuta. Talvez o problema não seja o ruído mas o medo do silêncio. Será que o burburinho é o novo silêncio? Talvez o verdadeiro desafio para esta época não seja lutar para conquistar o direito de falar, mas recuperar a arte de ouvir.

Matilde Morgado, nº23, 9ºB


3º Prémio

O peso das mochilas

    Todos os dias, antes de sair de casa, muitos estudantes vestem um sorriso e pegam na mochila. Lá dentro vão os cadernos, os livros e o estojo, mas entre as páginas dos livros está um sentimento que ninguém vê, a ansiedade.

    A escola que deveria ser um lugar onde se aprende com calma, muitas vezes transforma-se numa competição constante. Testes marcados ao mesmo tempo, trabalhos surpresa, notas com um peso enorme. Há quem diga que é só estudar, mas nem sempre é fácil.

    O stress escolar não aparece nas classificações da escola. Ele esconde-se quando trememos antes dos testes e nas lágrimas após os testes. Mesmo assim, muitos continuam a fingir que está tudo bem, porque para eles pedir ajuda é uma fraqueza.

    No entanto, aprender deveria ser sobre curiosidade e descoberta, não sobre ansiedade e cansaço. Precisamos de nos lembrar que errar faz parte do crescimento, que a vida não são números e que pedir apoio é um sinal de coragem.

    Talvez se se falar mais sobre este tema, a mochila pese menos. Estudar pode ser sinónimo de crescer e sonhar, em vez de ser só mais um dia de aulas.

Maria Leonor Bernardo, 9.º A 



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